Conheci recentemente uma jovem mãe.
Tinha por volta dos dezessete anos e trazia consigo o filho com pouco menos de um. Tinha também um jeitinho de menina faceira, de inocência pueril maliciosa. Agia como mulher (quase) adulta que era, mas nos olhos algo havia como de garotinha perdida.
Ela pretendia ir ao consultório médico para o bebê quando foi barrada na portaria do hospital. Sendo legalmente menor, apesar de mãe, não podia acompanhar a criança salvo tivesse acompanhante adulto. Ela aquiesceu e ficou de voltar com o pai do neném.
Quando voltou, voltou com quem acredito ser-lhe a sogra. Ela tinha uma voz afetada e dizia-se "passada" porque nunca viu uma mãe ser impedida de ir ao médico por ser de menor. Reclamava porque o pai da criança estava trabalhando. Insinuava arbitrariedade da enfermeira alegando já ter visto outras mães em situação semelhante serem atendidas.
O que dizia era certamente mentira. "Se tem um ser humano que mente, é o tal do paciente." A recepcionista reiterava: "ela precisa de um acompanhante". A jovem mãe, de canto, timidamente concordava, lembrando-se de que outra vez até se consultou, mas foi reclamada e avisada que não poderia. A contragosto, a suposta sogra foi embora com a jovem mãe atrás.
Pouco depois, a jovem mãe voltou novamente: dessa vez com o pai da criança. Era um rapaz bem apessoado. Vinha com roupa de trabalho. Andava meio torto, mas tinha um aspecto viril. Bom ou mau, não falou nada. A recepcionista liberou a passagem.
Alguns minutos e chega um senhor, imagino que o pai do pai, na portaria: "chame ali, por favor, o rapaz que entrou com o bebê há pouco". O rapaz veio. Conversaram brevemente, e quando o rapaz entrou novamente, o senhor resmungava alguns insultos à jovem mãe. "Isso é uma nojenta, uma preguiçosa", qualquer coisa do tipo, e o olhar era assim de desprezo não tão velado. "Quer dizer que ela tem capacidade de ser mãe, mas não tem para responder por si?", dizia indignado o homem. Um terceiro não citado até então, em tom conciliatório disse ao senhor: "Entenda... a partir do momento que uma menina menstrua ela pode ser mãe. Mas para responder por si, precisa ter mais de dezoito. Por exemplo, eu tenho quarenta anos, respondo por mim; mas até agora tô esperando pra menstruar e nada."
O velho riu, o terceiro riu, outras pessoas na recepção riram. A jovem mãe e o pai não riram porque estavam no consultório.