Deveras Victor

Ciclista em S. José da Mata

Por Victor Cosme em

Eu voltava para casa no ônibus estudantil quando vi pela janela um senhorzinho negro, baixo e grisalho pedalando sua bicicleta às margens da pista, no acostamento. Em suas costas carregava presa por uma alça como se fosse uma mochila uma caixa de isopor branco com um logotipo cor-de-rosa. O homem com o rosto encharcado de suor trazia consigo um aspecto cansado de quem teve um dia intenso e está doido para chegar em casa, banhar-se e entregar-se tão inteiramente ao sono que nem ouviria as preces de sua mulher ou a barulheira da casa adjacente à casa dele.

Sua mulher, conheci-a mais tarde, era também preta como carvão queimado, e apesar de muito religiosa, tinha um espírito pobre. Ainda muito criança padeceu da fome e dos prolongados períodos de estiagens da caatinga. Observadora excepcional, entretia-se a imitar as coisas que via ao seu redor. Um dia cismou de imitar as árvores: tão bem feita foi a imitação que…