No prédio há uma janela
No teto, uma parabólica
Na garupa da magrela
Que noite mais estrambólica
Uma brisa corre solta
Despontando até Brasília
Um gosto doce na boca
De moça bela e esguia
Vai correndo sem receios
Dos sonhos tecendo os freios
Duma alegre sinfonia
E a noite virando dia
Uma moto buliçosa
Assusta o gato medroso
O ronco causa alvoroço
Numa tarde cor-de-rosa
O pobre gato vencido
De orelha arrepiada
Canta que só a macaca
Nem um pio, nem um gemido
Mas daí passa um carro cinza
Co' uma moto na caçamba
O velho faz uma dança
A lua luzindo vai
O carro dá uma freada
O pedestre na calçada
Dá um grito e corre atrás
Nos tempos da mordomia
Eu cantava uma donzela
Meu Deus pai! Como era linda,
Formosa, tão bela era!