Deveras Victor

Segundo Motivo da Rosa

Por Victor Cosme em

(Poema de Cecília Meireles)

(a Mário de Andrade)

Por mais que te celebre, não me escutas,
Embora em forma e nácar te assemelhes
À concha soante, à musical orelha
Que grava o mar nas íntimas volutas.

Deponho-te em cristal, defronte a espelho,
sem eco de cisternas ou de grutas...
Ausências e cegueiras absolutas
Ofereces às vespas e às abelhas.

E a quem te adora, ó surda e silenciosa,
E cega e bela e interminável rosa,
Que em tempo e aroma e verso te transmutas!

Sem terra nem estrelas brilhas, presa
A meu sonho, insensível à beleza
Que és e não sabes, porque não me escutas...