(Poema de Cecília Meireles)
(a Mário de Andrade)
Por mais que te celebre, não me escutas,
Embora em forma e nácar te assemelhes
À concha soante, à musical orelha
Que grava o mar nas íntimas volutas.
Deponho-te em cristal, defronte a espelho,
sem eco de cisternas ou de grutas...
Ausências e cegueiras absolutas
Ofereces às vespas e às abelhas.
E a quem te adora, ó surda e silenciosa,
E cega e bela e interminável rosa,
Que em tempo e aroma e verso te transmutas!
Sem terra nem estrelas brilhas, presa
A meu sonho, insensível à beleza
Que és e não sabes, porque não me escutas...